Expansão deixa Granja Viana menos dependente de SP

      São Paulo, 21 de fevereiro de 2001 - Após a expansão do número de moradores, é a vez do comércio crescer na Granja Viana. Franquias e grandes redes chegaram ao bairro, cujo crescimento evidencia-se nas constantes obras. Novos pontos comerciais surgem ou aumentam sua área.

      Os moradores hoje procuram comprar, estudar e trabalhar perto de casa. Antes tinham de ir a São Paulo. A maioria das lojas são de pequeno porte, mas as grandes redes ocuparam um trecho da via Raposo Tavares, em um espaço aberto em dezembro. Com 13 mil metros quadrados e 190 vagas para carros, o local atraiu o Pão de Açúcar e o Mc Donald’s. Juntaram-se a eles o Posto BR 24 horas, Itaú ( em obras), salão de beleza Soho, livraria Nobel, 100% Vídeo, lavanderia 5 à Sec e Droga Raia. Ainda virão a Kopenhagen, Doceria Holandesa e Casa do Pão de Queijo. Há espaço para um restaurante, somando 13 unidades de grande porte.

      'Quisemos algo diferenciado', diz Márcio Lerner Zalkind, um dos quatro sócios do empreendimento. Eles aceitaram só grandes empresas para evitar troca de inquilinos e fidelizar a clientela. Parte das lojas foram vendidas. De acordo com Zalkind, que não revela o investimento, mais de mil pessoas visitam o local por dia.

      Inovando com duas franquias - livraria Nobel e videolocadora 100% Vídeo -, Daniel de Oliveira Silva, morador do bairro, ocupa uma área. 'Eu via uma carência de livrarias e grandes videolocadoras. Muitos clientes iam a São Paulo.' Oferecendo 10 mil volumes de livros, 4 mil de CDs e 5 mil fitas de vídeo, Silva empregou no ponto US$250 mil. 'O faturamento está dentro da expectativa'. Além da junção de duas franquias, a loja difere de outras unidades da rede porque aceita encomendas e faz parceria com escolas do bairro. Cresceu bem mais rápido em movimento, com 2 mil clientes já cadastrados, 6 mil fitas alugadas mensalmente e 6,6 mil itens vendidos. Sua idéia de casar franquias de 'ver e ler' rendeu cópias em Bauru e Campinas.

      Aproveitando a carência de serviços na área, a 5 à Sec surgiu porque moradores do bairro freqüentavam as filiais mais próximas. Cresceu rápido. 'Comparando com as outras lojas o movimento tem sido excepcional', diz José Mauro Lorga, vice-presidente da rede. 'A região é extremamente emergente, o que deve se acentuar com o Rodoanel', aposta o franqueado Edson Rogério Gonçalves.

      As novas galerias que surgem na Granja não se preocupam em ter lojas grandes, mas já reservam espaço para estacionamento e banheiro. Nesses moldes será inaugurada em março a Zagaia, com espaço para 13 lojas. Até o meio do ano, o dono, Odilon Ricci, espera ter todo o espaço locado. 'De um ano para cá os moradores evitam ir a São Paulo por razão de segurança'. Aberta há um ano e dois meses, a galeria Félix Boulevard atraiu antigas lojas da região e tem espaço para escritórios. A idéia é receber moradores que são autônomos e querem trabalhar ali. Já está com duas empresas. 'Essa é uma das poucas regiões de São Paulo que continua crescendo', diz um dos sócios, Fábio Carnibert.

      Na rua José Félix Oliveira, onde concentram-se cerca de 80 lojinhas e restaurantes, encontra-se a Estação do Sino, um empreendimento iniciado há dois anos em que está o restaurante O Jequitibá, o japonês Koi Zan, o centro estético Alfazema e a sorveteria Offellê. É frequentado pelos moradores e por quem trabalha na região. 'A Granja não suporta mais comércios ligados a alimentos', opina a proprietária de O Jequitibá, Carolina do Amaral Napolitano. Mas primeiras lojas do ramo resistem há décadas no bairro. (Gazeta Grande São Paulo/Página 6) (Adriana Fernandes Farias)

 

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