Rodoanel traz helicentro à Carapicuiba


Tudo começou com a insistência de Regina Velloso em aprender a pilotar helicópteros. Então, convenceu seu esposo, o médico João Velloso, a fazerem juntos aulas de pilotagem. Depois do casal tirar brevet, Regina percebeu a carência de locais, em São Paulo, para guardar o helicóptero e sugeriu ao marido que construísse um hangar. Assim, deram início a uma grande empreitada: o Helipark.
A construção está localizada no município de Carapicuiba, rua Fortunato Grilenzone, 417, Vila Dirce, a 800 metros do Rodoanel, entre as rodovias Raposo Tavares e Castelo Branco. O projeto visa atender a demanda por instalações para helicópteros, já que no Estado de São Paulo o número deste tipo de aeronave está perto de 400 unidades e vem crescendo cerca de dez porcento ao ano. Em sua fase final, o helicentro terá capacidade de atender 150 helicópteros com toda a infra-estrutura necessária para que as operações se realizem com segurança.
Com 116.000 m² e área total construída de 45.000 m², o Helipark foi projetado pelo reconhecido arquiteto João Armentano e está sendo edificado pela construtora Ferraz e Góes. O terreno escolhido está numa vasta área que pertence à família Velloso há muito tempo, uma fazenda, onde o pai de João Velloso criava gado, que foi desativada há aproximadamente vinte anos. Depois disso, sofreu diversas invasões e desapropriações _ inclusive para o Rodoanel. A facilidade de acesso ao Rodoanel foi uma das razões da escolha do local. Outro fator decisivo foi a segurança para as operações de vôo pois, além de estar em um morro, não há fios de alta tensão, prédios, torres de celular e outros obstáculos por perto.
O heliponto - lugar de pousos e decolagens _ será um dos maiores do Brasil (25,7 x 25,7), com capacidade para atender helicópteros de até cem toneladas, ou seja, suportará todos em operação no País. O Helipark contará também com nove spots (estacionamento de helicópteros), torre de controle, estações de telecomunicação e meteorologia e hangares com isolamento térmico e acústico. Para se ter uma noção do porte do que será o maior helicentro de São Paulo, ele terá estacionamento para 130 carros, 31 escritórios para locação; hotel para pilotos e mecânicos com suítes, churrasqueira e piscinas; refeitório para até 100 pessoas; sala VIP para passageiros ilustres; loja de conveniência, entre outros serviços e particularidades. Algo inédito será uma cabine especial para pintura de helicópteros, onde os proprietários poderão personalizar seus veículos aéreos. A estrutura será usada também como ponto de apoio a operações de resgate em todo Rodoanel.
João Velloso afirma se tratar do maior helicentro de São Paulo, com as melhores condições de segurança e também facilidade de acesso. Contou que antes de iniciarem as obras levaram pilotos e engenheiros ao terreno, e estes o acharam ideal: "... as condições aeronáuticas do local foram inigualáveis... encontramos segurança de vôo e conforto para o acesso". Velloso acredita que Carapicuiba se desenvolverá muito com o Rodoanel pois, assim como o Helipark, várias outras empresas se instalarão. Segundo ele, todas as normas exigidas por lei foram respeitadas. Exemplifica com a distância mínima permitida entre um spot e outro, que deve ser de quatro metros, e a fizeram com sete. Outra questão é se o barulho causado pelas aeronaves poderá incomodar os moradores das redondezas. O empreiteiro explica que a casa mais próxima está a cerca de 300 metros do heliponto, e a torre, junto com os hangares, situados entre as moradias e o ponto de pouso e decolagem impedirá que incomode os residentes nas proximidades.
A obra, que foi iniciada no começo deste ano, entrará em operação no dia 2 de janeiro e será inaugurada oficialmente em março.

Julio Angelini